Manuel Capitão


Ganhou um quarto bom, Roupas sem rasgo nenhum, Duas botinas quase novas, E um chicote de três pontas: o senhor  fez dele o seu feitor. Manuel não se assustou. Beijou na mão em um falso agradecimento. — Brigado sinhô, brigado sinhô. — sabia que por merecimento aquele lugar era seu. Agora podia brincar com a negrinhas…

A MÃO QUE AÇOITA


A mão que açoita pode até mudar, mas o bolo ainda não destruiu todos os dedos. Com a gargalheira pode até respirar ritmado, mas a dor vem pior. Prejuízos nunca são desejados pelos senhores. Torturas que até faz ansiar pela morte, mas Juvenal teme que nem assim irá descansar, Deus é branco.

Quizumba!!


O velho cão avança no pescoço. Defende seus irmãos. Também está atraído pelo de sangue que ela exala. Pelo medo de ficar só. “Quizumba, qui ta fazendo?!” Ele os seguiu naquela noite. Sua matilha: as duas meninas e o menino. A mãe deles ia por ultimo. Latiu. Onde iriam? O menino veio acarinhá-lo. São os…

Maria da Caridade


Caída. Dor nas costas. Já enxergou muito. Já fez muito. Tem o olhar sereno que nada mais a assusta. Tem o olhar desassossegado que nada mais a fará feliz. Fugiu muito. Negou o seu senhor. Mudou de nome e só teve danação. Amou muito. Venerou os filhos e os perdeu  para vida. Só teve desesperança.…

Outras Vozes – Boi falô


Boi falô!?! Contou o negro Toninho para o capataz que o mandou trabalhar em dia santo. Dali o escravo virou beato e até no seu túmulo contam que milagres houve. Boi falô! Ninguém relatou quem duvidou. Houve quem achou que era doideira do criolinho. Coisa para não pegar no pesado. Nego num gosta de trabalhar.…

Jesuíno e o peixe grande


  Dizia um outra lenda que Jesuíno, ainda novo, quase com sete anos, mais alto como um jequitibá-rosa, viu todo o povo com muita sede e fome: o rio estava seco. Seu padrinho definhava pois não tinha onde colher os peixes. Sua mãe sofria pois não tinha água para dar aos seus pequenos irmãos. O menino andou…