Amadê e a Idã

Cobra

Há muito tempo.

Muito mesmo…

Em terras de lá

Quando o mundo há pouco existia e as terras eram de todos, houve uma grande seca!

O Sol ficou mais forte e tudo ficou condenado!

Só um menino ficou em pé, Amadê. Ele viu os lagos secarem, os animais desaparecerem e seu povo findar.

Triste, resolveu andar.

Procurava algo, algum lugar melhor que aquele. Porém sabia que não existia.

Resolveu andar para não se entregar.

Por algum tempo andou, as pernas fraquejaram. Começou a engatinhar.

Ainda mais cansado, só conseguia se arrastar.

Até que, não aguentando mais, parou, respirou com dificuldade.

Arrastou um pouco mais e caiu.

Ficou deitado no chão quente até que uma pequena lágrima saiu de seu olho esquerdo

Quando ela caiu, encontrou uma grande pedra redonda e lisa.

O encontro foi silencioso porém forte.

Rachou a pedra! Amadê maravilhado viu sair dali um beija-flor.

Colorido

Alegre e feliz.

— Como vai? — disse o Beija-flor festivamente.

Amadê não conseguia responder, porém maravilhado sorriu.

— Novidades?

O menino apenas balançou a cabeça lentamente.

— Então, vamos procurar novidades. — O Beija-flor cantou uma canção.

A canção e a companhia fizeram Amadê levantar.

Andaram mais um pouco.

Apesar da profunda tristeza, com o beija-flor tudo parecer mais fácil.

O Beija-flor percebeu.

— O que lhe entristece amigo

— Sede!

O Beija-flor olhou em volta e percebeu a seca que se abatia por ali.

Aflito voou em direção aos céus.

E assim voou.

Até cansar!

Passou por todas as nuvens.

Lembrava do amigo e não desistia.

Até que as forçar acabaram. Ele caiu.

Caiu muito mais rápido que subiu.

Durante a queda, Beija-flor pensava no amigo.

Durante a queda, Beija-flor rezava pelo amigo.

Caiu perto do amigo.

Foi um enorme estrondo que formou um enorme buraco.

Amadê ficou ainda mais triste! Naquele escuro buraco estava seu último amigo. Seus joelhos fraquejaram, toda a alegria e suas forças foram embora: Era o seu fim.

Amadê ficou ali.

Muito tempo

Dormiu

Despertou com a voz longínqua do amigo.

Quando abriu os olhos, viu o Beija-flor, muito maior, boiando em uma lagoa de águas límpidas. Do buraco jorrava água!

Sedento pulou e bebeu o que pode.

Brincou, cantou, dançou e agradeceu. Lembrou do amigo e o procurou.

Viu que o Beija-flor estava transformado.

Uma Idã.

O amigo Beija-flor agora era uma grande cobra com todas as cores ao mesmo tempo misturadas e ao mesmo tempo separadas. Amadê se assustou quis fugir, porém a idão falou carinhosamente.

— Amigo, dentro de mim sou o mesmo, agora posso ajudar melhor!

—Trouxe felicidade.

A Idã sentiu uma tremenda fome e rapidamente começou a comer a terra. Comia com muito vigor e muita fome.

Uma grande vala ia se formando e a água saía do buraco, enchendo tudo

A cobra comia mais e mais rapidamente e Amadê o seguia.

Ao mesmo tempo a Idã vomitava e ia fertilizando a terra seca.

Surgiram plantas, capim e árvores.

Por muitos dias comeu terra com Amadê o seguindo.

Vieram bichos .

Outras aves.

Insetos

Vida!!

De vez em quando paravam para conversar, cantavam, brincavam. Porém a fome recomeçava e voltava a comer.

Passados alguns dias, conseguiu formar vários rios, corrégos e ribeirões.

Brincava daqui para lá e de lá para cá. Até que um belo dia quando a terra refloresceu a Idão voltou a ser um Beija-flor.

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